segunda-feira, 12 de março de 2012

O artesanato como terapia...

Numa época em que se fala tanto de depressões e antidepressivos... há alternativas...

"Muitas pessoas dizem que não têm tempo ou não tem como iniciar um processo terapêutico, mas muitas também não percebem as oportunidades quotidianas para se cuidarem. Falta de ânimo? Coragem? Atenção? O facto é que vai se deixando para depois, depois e depois….
Algumas actividades simples do dia-a-dia possuem grande potencial terapêutico, ajudando-nos a nos sentirmos e nos tornarmos melhores, como o trabalho manual. Criar algo com as nossas próprias mãos é a possibilidade de concretizar, de expressar, de dar vazão à nossa criatividade.
Cozinhar, bordar, escrever, esculpir e pintar ficaram sem espaço nas nossas vidas no meio da correria da actualidade. Muitas de nós nem sabemos fazer todas essas coisas. Com a praticidade dos dias actuais fomos perdendo contacto com nossa habilidade ancestral de dedicarmos tempo e espaço para o processo de criação. Reservar um momento para meditar, transformar os elementos.
Quando bordamos, entramos num processo de ligar os pontos, de ir e vir, de fazer tramas. A satisfação de ver nossas mãos dando vida a algo... Este exercício é uma tarefa calmante em que nos podemos conhecer melhor e estarmos connosco mesmas, viajando pelo nossos pensamentos.
Cozinhando experimentamos o prazer dos sentidos, precisamos escolher, experimentar, aguardar. Vamos ponderando e exercitando a sabedoria da doação. Tem coisa mais gostosa do que ver pessoas queridas se deliciando com o que fizemos?
Assim também pode ser a pintura: um exercício de transformação, a união das tintas, que quanto mais líquidas, mais nos ajudam a lidar com a necessidade de controle dentro de nós. Se tivermos dificuldade em lidar com a imprevisibilidade, se nos virmos escravos do controle, talvez aí esteja uma actividade importante para exercitarmos a possibilidade de lidar com o imprevisível, com o novo que nasce na junção das cores, das texturas.

Escrevendo vemos os caminhos se formarem, as palavras vão se ligando, liberando sentidos que poderiam estar escondidos para nós. A escrita pode ter o dom de libertar aquele nó no peito. Ela libera, desata, coloca pra fora.
Não importa o resultado, mas sim o prazer do processo.
Pode ser que da primeira vez o bordado saia meio torto, a comida meio salgada, o texto um tanto perdido… Mas, vale mais o momento de entrega. Com o tempo e a dedicação, vamos nos aperfeiçoando até conseguir resultados melhores. Não é assim também na vida? Escolha uma actividade que goste e vá. Se você não experimenta com medo de errar, talvez esteja na hora de se desapegar e se entregar. Comece por alguma atividade mais fácil como fazer um bolo, aprender crochê etc. As transformações começam com a mudança de atitudes. Mãos à obra!"

2 comentários:

Ana disse...

Muito interessante este post e posso confirma-lo pois estou a passar por essa experiência. Comecei com o artesanto por brincadeira pois queria oferecer um presente que fosse diferente do que todos oferecem e acabou por se tornar uma terapia :) Hoje não passo um dia sem dar um ponto, fazer um malha ou cortar um tecido! Especialmente o tricot, tornou-se um calmante natural. E não há nada como oferecer algo a alguém ou até a nós próprios e ver que fomos nós que realizémos, colocámos o nosso tempo e o nosso carinho! :))

Majó Pato disse...

Muito obrigada pelo seu comentário, Ana. O que começa por brincadeira depressa se torna num bichinho que não nos larga mais. E é realmente relaxante. Só precisamos de encontrar o que nos faz feliz.